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Eronilde de Souza Fermin Omagua/ Kambeba – Os Brasis e suas Memorias

biografia

Eronilde de Souza Fermin Omagua/ Kambeba

Autor(es): José Jesus Seabra Braga
Biografado: ERONILDE DE SOUZA FERMIN OMAGUA/KAMBEBA
Nascimento: 1973
Povo indígena: Kambeba/ Omagua
Terra indígena: Aldeia Santa Terezinha - São Paulo de Olivença
Estado: Amazonas
Categorias:Estado, Amazonas, Biografia, Etnias, Kambeba
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José Jesus Seabra Braga[1]

            Eronilde de Souza Fermin pertence ao povo étnico Omagua/Kambeba, tem como clã Wakará (origem de água), nação Tuyuka, nome indígena Kwema (pássaro do dia). Eronilde de Souza é filha de Júlio Ferreira Fermin e Regina Neves de Souza, nascida em 09/09/1973. A mesma reside no município de São Paulo de Olivença – sede, na antiga aldeia Akariwazal, atualmente chamada de Santa Terezinha. Ela é graduada em Pedagogia Intercultural (UEA) e é professora bilíngue do povo Omagua/Kambeba. Atualmente, faz mestrado em linguística no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Ela é uma representação fundamental do seu povo, onde exerce uma liderança maior como Cacique Geral (Tuxawa Yakã Yuaka) desta população. É reconhecida pelos órgãos e instituições como defensora e mulher guerreira na luta pelas causas indígenas, de modo particular a seu povo.

            A confiança depositada pelas lideranças e pela população indígena deve-se ao fato de ser uma pessoa determinada e revolucionária que sempre buscou e reivindicou os direitos indígenas. Defende a razão da igualdade social e o exercício da cidadania. Preocupada com a vida deste povo, há 25 anos atrás fez parte de uma somatória histórica no processo de organização social étnica, do que resultou no ano de 2002 a fundação da Organização Kambeba do Alto Solimões (OKAS). Desde então passou a desenvolver os seus trabalhos sociais. A educação indígena Kambeba teve um marco histórico entre os anos de 2011 a 2016 quando Eronilde de Souza foi escolhida pelo seu povo como coordenadora de educação indígena Omagua/Kambeba na Secretaria Municipal de Educação de São Paulo de Olivença. Nesse período, ela fez parte de um projeto etnoeducacional (MEC) que assegurou a construção de três escolas padrão alvenaria. Além disso, implantou a educação indígena Kambeba promovendo o reconhecimento pelo MEC das escolas indígenas Kambeba. Antes, as escolas não eram reconhecidas como indígenas. Foi Eronilde de Sozua Fermin que organizou esse reconhecimento.

            As escolas indígenas construídas no padrão alvenaria e reconhecidas pelo MEC foram as escolas: “Escola Waynambi” (comunidade São Raimundo do Universo), “Escola Kanata Kãna Ykua” (comunidade São Tomás) e “Escola Kambeba Ivan Balieiro Saraiva” (comunidade Santa Teresinha – Sede). Todas estão localizadas no Rio Solimões. Essa última, a “Escola Kambeba Ivan Balieiro Saraiva”, não existia antes e foi inaugurada em 2013. As outras, já funcionavam em construções de madeira. As escolas que já existiam, foram reformadas e passaram a ser reconhecidas pelo MEC como escolas indígenas foram – “Escola Santa Cruz” (comunidade Cararuá) e “Escola Sury Tayna” (comunidade Monte Tabu), ambas situadas no Rio Solimões.

            Eronilde de Souza conseguiu ainda implementar três novas escolas na calha do Rio Jandiatuba que foram imediatamente reconhecidas pelo MEC como escolas indígenas. Foram as escolas – “Escola Ygara Katu” (comunidade Alta Alegre), “Escola Bakaba” (comunidade Bakaba) e “Escola Mata Cachorro” (comunidade Mata Cachorro).  A “Escola São Sebastião” (comunidade Tupy II), que já funcionava no Rio Solimões, também foi reconhecida como indígena pelo MEC na gestão de Eronilde de Souza.

            Em 2017, Eronilde de Souza foi premiada pela Associação Nacional de Pesquisadores (ANPED) que a agraciou com o prêmio “Nilton Bueno Ficher” em reconhecimento pela implantação da educação diferenciada nas escolas Omagua/Kambeba. Reconheciam sua importância como guardiã dos sítios arqueológicos. E, em 2019, ela recebeu o prêmio guardiã da língua, acervos, memórias e identidade Omagua/Kambeba pela University Meriland.

            Eronilde de Souza junto com a OKAS, o povo Omagua/Kambeba e as demais lideranças elaboraram o protocolo de consulta Omagua/Kambeba onde consta reunidas informações sobre a língua, a história, o território, a arte etc. do povo. Esse protocolo encontra-se disponível e é possível acessá-lo em alguns órgãos públicos como o MPF, a Funai e na sede da OKAS. É possível localizar pelo Facebook da própria Eronilde de Souza.

            Quanto às reivindicações por demarcação de terras, lutou junto com o povo e as lideranças pelo reconhecimento e identificação de territórios Omagua/Kambeba. Hoje os territórios encontram-se identificados pela Funai. E agora eles seguem lutando pela demarcação. Com muitas lutas e através da força do povo também conseguiram fazer com que a saúde indígena chegasse até as comunidades pelo atendimento da Sesai.

            A trajetória de Eronilde de Souza Fermin nos mostra por meio dos seus exemplos a luta da mulher amazônica e a convicção com que sempre procurou desenvolver políticas a favor da população indígena. Sua força e perseverança nos inspiram a lutar cada vez mais por causas nobres e, sobretudo, é um importante incentivo a muitos a seguirem esse exemplo que conduz a conquistar os direitos em memória de muitos  fortes guerreiros Omagua/Kambeba que defenderam e lutaram por suas terras, cultura, costumes e tradições, que sofreram etnocídio, com a derramada de sangue, e aculturação linguística pela colonização espanhola e portuguesa. Essa mulher nasce em pleno século XX com o propósito de doar a sua vida em prol da população Omagua/Kambeba.

Notas


[1] Indígena Omagua/Kambeba. Presidente da Organização Kambeba Omagua Paulivense do Amazonas (OKOPAM).

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