biografia

Silvano Pereira da Silva

Autor(es): Siloíde Fernandes Antonia Rainaria Rodrigues de Souza Osiel Pereira Viana Helio Viana de Sousa Eduardo Guajajara Amorim Lívia Ribeiro Carneiro Lázaro Pereira da Silva Joelson Pereira Guajajara Antoniel Rosa Félix Melquias Cabral Guajajara Sergio Vitoriano Jordan Pompeu Silvino Junior Ina’iure Carneiro Pompeu
Biografado: Silvano Pereira da Silva
Nascimento: 29 de agosto de 1914
Morte: 2004
Povo indígena: Guajajara
Terra indígena: Aldeia Colonia
Categorias:Biografia
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Biografia de Silvano Pereira da Silva (1914-2004)[1]

Siloíde Fernandes

Antonia Rainaria Rodrigues de Souza

Osiel Pereira Viana

Helio Viana de Sousa

Eduardo Guajajara Amorim

Lívia Ribeiro Carneiro

Lázaro Pereira da Silva

Joelson Pereira Guajajara

Antoniel Rosa Félix

Melquias Cabral Guajajara

Sergio Vitoriano

Jordan Pompeu Silvino Junior

Ina’iure Carneiro Pompeu

Silvano Pereira da Silva, nasceu no dia 29 de agosto em Barra do Corda. Filho de Silvano Pereira da Silva e Isabel Pereira da Silva, casado com seis mulheres dentro da cultura. Foi liderança e cacique e atuou como servidor do órgão de Serviço de Proteção ao Índio (SPI), como chefe de posto.

Silvano é conhecido como Xriwán pelos indígenas e Silvinho pelos não índios. A história desse grande guerreiro se iniciou na antiga aldeia onde seus pais moravam, essa aldeia era chamada de Yrymyhu. O pai de Silvano era vice-cacique da aldeia na época, segundo a história contada, essa aldeia era muito grande e viviam muitas famílias nela. Silvano semore acompanhava seu pai, foi crescendo e estudou com não índios na escola em Barra do Corda. Aprendeu a ler e escrever e com o passar do tempo sua aldeia foi se dividindo até que todos da comunidade que viviam naquele lugar se deslocaram para outras aldeias.

A família de Silvano foi morar na aldeia São Pedro, lá ele se casou com a primeira mulher e teve seis filhos. Silvano que era uma pessoa muito inteligente dialogava com as pessoas, sabia falar e tinha uma linguagem bem clara no qual os não índios se alegravam com suas conversas, assim ele foi se adequando nos costumes dos não índios, foi aprendendo a falar bem o português e todos os conhecimentos sobre as coisas. Ele também era acostumado com os costumes do seu povo, sempre participava dos rituais, das festas e gostava de caçar, pescar e trabalhar na roça. Tinha muita fartura em sua casa e as pessoas gostavam de o visitar.

Ele tinha muitos amigos e se dava bem com a comunidade de São Pedro. As pessoas gostavam dele e de seus pais. Como Silvano era uma pessoa inteligente e tinha uma linguagem bem clara, foi nomeado a chefe de posto da aldeia São Pedro, no qual iria se encarregar para cuidar dos interesses da comunidade daquela aldeia.

Silvano começou a trabalhar como chefe do posto da aldeia. Na época dos postos tinha muito gado, pois o gado era da comunidade para atender as demandas da aldeia. Silvano como era chefe do posto ia muito para a cidade para resolver problemas da comunidade.

Foi na aldeia São Pedro que Silvano conheceu suas quatro futuras esposas. Primeiro casou com uma que tiveram seis filhos. Por ser conhecido pela autoridade e pelas outras comunidades de outras aldeias, as mulheres começaram a se interessar por ele, até que conheceu outra mulher, casou com ela e tiveram quatro filhos e assim sua família foi crescendo. Depois conheceu outra mulher, se casou com ela e tiveram quatro filhos. Por fim, conheceu sua quarta mulher na mesma aldeia em que ele trabalhava como chefe do posto. E Ele conquistou muitas coisas com o fruto do seu trabalho.

Um dia os filhos de Silvano foram em uma festa de não índios. No meio da festa houve uma briga entre outras pessoas e um de seus filhos estava envolvido nessa briga, no qual quase houve um assassinato do filho de Silvano, ainda cortaram a orelha do seu filho. Foi por causa desse problema que a família de Silvano e Amorim começou a se desentender, ele apanhou e tomou chicotada pela família de Amorim. Depois desse acontecimento, os parentes (cunhados) de Silvano disseram que não dava mais para morar naquele lugar, pois traria muita confusão. Para evitar outra confusão foram morar em outra região. Foi assim que Silvano saiu de São Pedro e foi procurar um lugar para morar onde é chamado de Cajazeiras.

Foi nesse lugar, que ficava no outro lado do Rio Mearim que a família de Silvano acampou. Depois de algum tempo, o mesmo resolveu construir uma roça e como era muito bonito, ele e sua família foram morar ali e assim surgiu a aldeia Yrymyhu, esse nome foi dado porque ali havia uma ilha dentro da aldeia e posteriormente veio a se chamar aldeia Colônia. Pois lá havia existido um grupo de padres e freira que vieram para catequizar os indígenas, porém os indígenas daquela região foram contra a catequização e os religiosos ficaram com medo, pois na mesma época estava ocorrendo Conflito do Alto Alegre, então abandonaram a missão naquela região e assim o local ficou com muitas ruínas. Com isso, Silvano saiu de São Pedro e chegando nessa aldeia com suas famílias e parentes e a batizou como aldeia Colônia.

Silvano, na aldeia Colônia continuou como chefe de posto só que seu trabalho era feito de outra forma, já que ele precisava se deslocar para poder prestar serviços em outras aldeias e também foi ali que se tornou cacique de sua aldeia Colônia.

Como ele havia trabalhado de servidor no SPI, então tinha ganhado muito dinheiro, possuindo assim, muitos gados e empregados, construindo assim um casarão para que todos seus filhos e mulheres morassem juntos, isso porque com sua quarta mulher teve sete filhos. Com a chegada da sua quinta esposa teve dez filhos. Como a família estava crescendo demais ele tomou a decisão de construir uma casa para que cada esposa e filhos ficassem o seu próprio lar. Ele os sustentava mas ficou morando apenas com a mulher mais nova e seus filhos.

Com o passar dos anos, Silvano não tinha mais condições de trabalhar e se aposentou. Sendo assim, outra pessoa assumiu o seu lugar de cacique, porém o cacique a ser nomeado para ficar em seu lugar não deu muito certo e Silvano continuou, então, a ser o cacique.

Anos mais tarde, vieram para a aldeia alguns estrangeiros a fim de evangelizar os indígenas para os indígenas para o protestantismo e teve o apoio de Silvano. E, assim, eles começaram a fazer seus trabalhos na região. Como passaram vários anos, construíram uma igreja feita de madeira e casas para que morassem. Os missionários ajudaram os indígenas no âmbito da saúde e educação, pois o acesso para a chegar na aldeia Colônia era isolado.

Foi com a chegada dos missionários que a aldeia Colônia teve muito apoio das autoridades, pois inicialmente o governo não tinha muito contato com os povos indígenas. Agora com o apoio dos evangelistas e com a mão de obra indígena começaram a abrir o caminho que daria acesso as aldeias Colônia, Sardinha, São Pedro. Muitos meses levaram até conseguir abrir todo o caminho. Sendo assim, Silvano foi um dos pioneiros nesse trabalho, juntamente com os missionários. O papel deles foi fundamental para essa nova etapa para as comunidades, por isso Silvano é um marco na história da Aldeia Colonia.


Notas

[1] Trabalho Realizado na disciplina de Relações Interétnicas, durante a V Etapa do Curso de Licenciatura Intercultural Indígena-UEMA em 2018.

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