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José Romão dos Santos Tikuna – Os Brasis e suas Memorias

biografia

José Romão dos Santos Tikuna

Autor(es): Josimar Lopes de Oliveira
Biografado: JOSÉ ROMÃO DOS SANTOS
Nascimento: 1948
Povo indígena: Ticuna
Estado: Amazonas
Categorias:Estado, Amazonas, Biografia, Etnias, Ticuna
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Josimar Lopes de Oliveira[1]

José Romão dos Santos nasceu em 1948 no seu tapiri localizado na margem direita do rio Jutaí. Filho de Maria Romão Tikuna, que faleceu nos anos 60, deixando três filhos: José Romão, Profiro Romão e Euzebio Romão. Seu José Romão com 12 anos de idade já era guerreiro, começou a cuidar de seus irmãos e fazia roça para sustentá-los, e ao longo do tempo saiu da beira do rio e foi morar dentro de um igarapé, fez seu tapiri e começou a fazer roça. Depois de muito anos os seus irmãos já possuíam famílias e assim continuaram limpando aquele lugar. Com 19 anos o senhor José Romaão teve a responsabilidade de liderar aquele local, daí para frente a sua responsabilidade aumentou e virou seringueiro por muitos anos, para poder sobreviver (tirar seu alimento diário).

Sua localidade começou aumentar com outras famílias que vieram de outras comunidades. Com 22 anos de idade seu José Romão começou a viajar em busca da demarcação de suas terra. Para eles poderem viajar tinham que sair de canoa remando dias e dias para chegar em Manaus, onde ficava os órgãos de demarcação de terras. Antes dele viajar, ele tinha que fazer farinha para levar na viagem e deixar para a família, como também pescar e caçar. Isso levou anos de viagem com seus irmãos, mais seu José que era liderança desde muito cedo representava sua família e sua terra. Em 1972 foi fundada a comunidade chamada Santa Fé, teve esse nome devido á uma religião de influência chamada Santa Cruz, e também ele seu José Romão foi diretor da igreja por muito tempo, sendo assim sua responsabilidade aumentou mais e sua luta continuou para demarcar sua terra. Ele começou a ensinar os jovens a caçar, pescar, fazer canoa, fazer as pinturas, as danças, tecelagem, e produzir seus próprios utensílios.

Mesmo sendo de Religião da Cruzada ele não deixou a crença atrapalhar seus costumes de índio, e continuou fazendo suas pinturas e danças. Nos anos 80 e 90 as autoridades começaram a ouvir a sua voz de pedido de demarcação de sua terra, junto com demais lideranças de outras comunidades, eles se reuniram e foram em busca de seu objetivo que era a demarcação, nessa viagem eles passaram meses em Manaus em conversação com autoridades que podiam ajudar na demarcação das terras. Durante essa viagem ele conheceu vários parceiros que poderiam ajudar na luta e em seguida eles trouxeram um funcionário da FUNAI para fazer o estudo antropológico das terras, e esse funcionário passou a morar na casa do seu José Romão, e assim eles foram para o mato conhecer os lagos, limites, as madeiras, tudo que havia nas terras. Logo depois de tudo isso seu José fez uma grande festa porque tinha conseguido levar uma pessoa da FUNAI que podia ajudar na demarcação da terra, mostrando suas necessidades.

Notas


[1] Sou de Jutaí, tenho 38 anos, sou da Etnia Kokama. Sou coordenador da organização COPIJU há três anos. Mas, antes, já havia trabalhado como vice coordenador. Meus pais habitaram na aldeia e ali formaram sua famílias.

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