biografia

BENEDITO ALVES DO ESPÍRITO SANTO – Cacique Benedito (Arapati)

Autor(es): DANIELY SANTOS CARDOSO , EDWARDA ELOÍSA SOUZA SANTOS , EVELLY ROCHA DOS SANTOS , LORENA RAMOS SILVA , MYLLENA TAMAZI SANTOS
Biografado: BENEDITO ALVES DO ESPÍRITO SANTO - Cacique Benedito (Arapati)
Nascimento: 8 de abril de 1953
Morte: 2021
Povo indígena: Pataxó
Terra indígena: Coroa Vermelha
Estado: Bahia
Categorias:Estado, Bahia, Biografia, Etnias, Pataxó
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BENEDITO ALVES DO ESPÍRITO SANTO:
O LEGADO DO PRIMEIRO CACIQUE NA
ORGANIZAÇÃO DO POVO PATAXÓ EM
COROA VERMELHA


Este trabalho nasce do desejo de honrar a memória de quem abriu caminhos. Mais que um registro de datas, buscamos aqui reconhecer a história do Cacique Benedito (Arapati) sob o olhar do afeto e inspiração da pessoa forte e guerreiro que foi. Benedito Alves do Espírito Santo, conhecido como Cacique Benedito, nasceu em 8 de abril de 1953, na aldeia Barra Velha, em Porto Seguro (BA), onde passou toda a infância e juventude. Desde cedo trabalhou na roça e aprendeu com sua família os costumes, os rituais e os conhecimentos do povo Pataxó.
Quando adulto, mudou-se para a Aldeia Coroa Vermelha, casando-se aos 33 anos com Isabela Maria, com quem teve e criou seus quatro filhos. A partir dessa mudança, começou a participar mais diretamente das decisões e necessidades da comunidade. Com o tempo, ganhou o respeito das famílias e foi escolhido como o primeiro cacique de Coroa Vermelha. Sua eleição se deu por meio de uma votação comunitária realizada no centro cultural da escola indígena, onde os membros da comunidade se reuniam para indicar os nomes por meio de cédulas de papel. Benedito foi o escolhido, assumindo a responsabilidade da comunidade, e manteve-se no cacicado por anos, referendado pela maneira especial de sua liderança. Mesmo sem escolarização formal, era reconhecido por sua sabedoria, calma e responsabilidade.
Como cacique, atuou na busca por melhorias para a comunidade, principalmente nas áreas de educação, saúde e organização interna da aldeia. Participou de reuniões, movimentos e viagens representando seu povo e defendendo seus direitos. A atuação do Cacique Benedito foi fundamental no processo de reivindicação territorial e na organização da Aldeia Coroa Vermelha. Ele foi uma voz ativa na defesa dos direitos do povo Pataxó, notadamente na articulação dos grandes movimentos indígenas que marcaram o extremo sul da Bahia. Seu legado é profundamente ligado à resistência e à visibilidade Pataxó, especialmente durante momentos históricos como as celebrações dos 500 anos do Brasil, em 2000, onde sua liderança garantiu que a voz de sua comunidade fosse ouvida em nível nacional. Um dos momentos mais marcantes de sua trajetória ocorreu no ano de 2000, durante as celebrações oficiais dos 500 anos do Brasil. Como cacique de Coroa Vermelha, Benedito liderou seu povo na ‘Marcha Indígena 2000’, um movimento de resistência que denunciou as violações de direitos sofridas pelos povos originários. Mesmo diante da forte repressão policial da época, ele manteve-se firme na linha de frente, transformando a aldeia em um símbolo nacional de luta e garantindo que o mundo ouvisse a mensagem de que o povo Pataxó nunca deixou de existir e resistir em seu território.
Em sua língua sagrada chamava-se Arapati, que significa Guerreiro da Manhã, era lembrado por ser uma liderança próxima e atenta, costumava visitar as famílias cedo, conversar com os jovens e ouvir as preocupações da comunidade. Seu jeito simples de liderar, sempre pensando no coletivo, fez dele uma referência importante para o povo Pataxó. . Mesmo tendo partido em 2021, o jeito de cuidar da comunidade e a escola que ele ajudou a construir continuam vivos, servindo de guia para que seu povo siga caminhando com as próprias pernas. A ausência do Sr. Benedito é sentida diariamente no silêncio de seus conselhos sábios e na falta daquela calma liderança que resolvia conflitos com um olhar atento e uma palavra mansa. Para o povo Pataxó, ele não apenas partiu, mas encantou-se, transformando-se em um ancestral que continua a zelar pelo território. Seu legado é uma semente que floresce em cada jovem indígena que hoje ocupa espaços na universidade e na saúde, frutos da educação intercultural que ele tanto defendeu. O Cacique Benedito deixou de ser apenas um homem para se tornar um símbolo de autonomia, sua história agora é o alicerce que sustenta a identidade e a coragem das novas gerações de Coroa Vermelha. Enfim, ao olhar o passado de luta do Cacique Benedito, somos convidados a pensar no futuro, que as novas gerações Pataxó e todos, possam crescer como sementes, dando fruto em um mundo mais justo e respeitoso com os povos originários.


REFERÊNCIA:
COSTA, Adriana Andrade Maranhão. História de vida e luta do primeiro cacique de Coroa Vermelha, Benedito. 2024. 51 f. Percurso Acadêmico (Licenciatura em Formação Intercultural para Educadores Indígenas) – Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2024.

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