biografia
Iambé – IZABEL BORGES DO ESPÍRITO SANTO MATOS
Autor(es): Uanza Gois de Oliveira , Rayane Rocha Almeida
Biografado: IZABEL BORGES DO ESPÍRITO SANTO MATOS - Iambé
Nascimento: 02 de julho de 1913
Morte: 23 de abril de 2010
Povo indígena: Pataxó
Terra indígena: Coroa Vermelha
Estado: Bahia
Categorias:Estado, Bahia, Biografia, Etnias, Pataxó
Tags:Bahia, Feminino, Pataxó
Nascida em 02 de julho de 1913, no distrito de Juacema – Rio Caraíva, Bahia, Izabel Borges do Espírito Santo Matos, mais conhecida pelo seu nome indígena Iambé, foi uma mulher de grande importância para a história e a resistência de seu povo. Falecida em 23 de abril de 2010, em sua própria casa, Iambé se destacou como parteira, alfabetizadora, rezadeira e artesã, dedicando sua vida ao cuidado e à preservação da sabedoria tradicional de sua comunidade. Sua contribuição à educação foi significativa, pois foi com ela que muitos filhos e netos aprenderam a escrever o próprio nome, já que as crianças de sua comunidade nunca frequentaram a escola formal. Além disso, Iambé era profundamente devota de Santo Antônio e desempenhou um papel crucial na fé de seu povo, fundando a primeira igreja de Coroa Vermelha, onde conduzia as rezas do ofício.
Como liderança indígena Pataxó, Iambé teve um papel fundamental no processo de demarcação das terras de Coroa Vermelha. Ela viajou diversas vezes a Brasília para reivindicar direitos e buscar melhorias para sua comunidade. Foi também uma das primeiras moradoras de Coroa Vermelha, sendo peça chave na formação e no fortalecimento da identidade cultural do povo Pataxó. A vida de Iambé é um testemunho profundo de força, fé e resistência. Sua existência deixou marcas que atravessam gerações, não apenas pela dedicação ao cuidado, à educação e às tradições de seu povo, mas pela maneira amorosa e firme com que lutou pelos direitos da comunidade Pataxó. Ao ensinar crianças a escreverem o próprio nome, ao trazer novas vidas ao mundo, ao conduzir rezas cheias de devoção e ao enfrentar longas viagens em defesa da demarcação das terras, ela transformou sua trajetória em um legado de coragem e esperança.
Iambé viveu com simplicidade, mas carregava em si uma grandeza que só os verdadeiros guardiões da memória possuem. Recordar Iambé é honrar a luta indígena, a sabedoria ancestral e o poder de uma vida que, mesmo após seu fim, continua iluminando caminhos.
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