biografia

Pedro Poti
Autor(es): Geraldo Gustavo de Almeida
Biografado: Pedro Poti
Morte: 1652
Povo indígena: Potiguara
Estado: Bahia
Categorias:Biografia, Estado, Paraíba, Etnias, Potiguara
Tags:Masculino, Paraíba, Potiguara
Índio potiguara, parente do celebre Camarão. Em 1625 conseguiu escapar do massacre que os portugueses promoveram em Baia da Traição. Embarcou para a Holanda e ali permaneceu durante cinco anos, ilustrando-se e tornando pessoa importante. Quando estava na Europa trocou correspondência com Camarão, onde revelava suas ideias de pátria, religião e liberdade. Magoado com o morticínio havido em Baia da Traição, onde nascera, assim se expressou numa carta dirigida a Felipe Camarão: “Em todo País se encontram os nossos escravizados pelos perversos portugueses, e muitos ainda o estariam, se não houvesse libertado. Os ultrajes que nos tem feito, mais do que aos negros, e a carnificina dos da nossa raça, executada por eles na Baia da Traição, ainda estão bem frescos na nossa memória”. Nem Pedro Poti, e nem Calabar foram traidores. Apenas serviram a senhores diferentes dos portugueses, dentro dos seus ideais. Pedro Poti, como Camarão, não viu o fim da guerra holandesa, pois foi preso pelos portugueses na segunda batalha dos Guararapes a 19 de Fevereiro de 1649. Foi posto a ferros e metido numa enxovia no Cabo de Santo Agostinho, onde ficou durante seis meses, alimentado a pão e água, recebendo de vez em quando açoites dos ‘patriotas’. Quando acontecia ser tirado do calabouço, era para ser submetido a outro suplicio mais vexatório, o de abjurar o protestantismo e converter-se ao catolicismo. A troco disso, prometiam-lhe a liberdade e a patente de capitão. Segundo Paraupaba, vendo os seus algozes ‘que de um animo tão forte nada se podia conseguir por meio de torturas, nem de promessas de honras, cargos ou fortunas, tiraram-no do escuro subterrâneo, onde tanto sofrera, sob o pretexto de o mandarem para a Bahia, mas o plano era mata-lo, o que depois realizaram’. Pedro Poti teria morrido a bordo de um navio em 1652, quando seguia preso para Lisboa. Preferiu a gloria do martírio à desonra do perjúrio. Seu nome é quase apagado na nossa História porque tomou o partido dos holandeses e adotou a religião protestante, ambos abominados pelos portugueses. Mas foi tão grande ou mesmo maior que o próprio Camarão.