biografia

Abiaru

Autor(es): Geraldo Gustavo de Almeida
Biografado: Abiaru
Povo indígena: Morubixaba Guarani
Estado: Rio Grande do Sul
Categorias:Biografia, Etnias, Guarani, Estado, Rio Grande do Sul
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Poderoso morubixaba guarani da região do Rio Uruguai. Em 1637 derrotou os mamelucos paulistas que haviam atacado as reduções do Uruguai e do Tape. Em 1641, comandando quatro mil índios, derrotou oitocentos paulistas e seis mil índios tupis comandados por Jerônimo Pedroso, em Mbororé, entregando os prisioneiros ao governador de Assunção. Em 1651 afugentou os paulistas comandados por Domingos Barbosa Calheiros, que pretendia atacar Buenos Aires. Acompanhemos o que diz Afonso de Taunay: “Descendo de São Paulo para o Sul, encaminhou-se a grande bandeira de Jerônimo Pedroso para o curso do Alto Uruguai, dirigindo-se depois para as populosas reduções vizinhas das margens do grande caudal. Fizeram os jesuítas soar brados de alarmaem todos os seus pueblos aquém e além do Uruguai. Armaram quatro mil índios dando o seu comando ao morubixaba Inácio Ablaru. Contavam com trezentos escopeteiros. O resto se compunha de arqueiros e fundibulários. Os Irmãos leigos da Companhia fabricaram uma como que rústica artilharia, valendo-se de grandes taquaruçus forrados de couro e capazes de disparar tiros de metralha. Estes canhões improvisados foram instalados sobre embarcações rasas algo à moda das chatas paraguaias de 1865.” E continua Taunay: “Conhecedores da aproximação da tropa de Jerônimo Pedroso foram os jesuítas com dois mil homens comandados pelo padre Altamirano às vizinhanças do Salto Grande do Uruguai, onde encontraram muitos índios da região, que fugiam espavoridos ante o avanço dos paulistas. O padre Claúdio Ruyer assumiu então a chefia das operações. Ficou Altamirano com a vanguarda em Acaraguá indo ele Ruyer estabelecer o grosso de sua gente a foz do rio Mbororé no Uruguai, a um dia de marcha, à jusante. Ali pretendia travar decisiva batalha com os invasores. Altamirano, que rondava o rio com uma esquadrilha de canoas, encontrou a guarda avançada paulista e recuou para Acaraguá. Travou-se então o primeiro encontro. Duzentos e cinquenta homens tripulando trinta canoas enfrentaram cem canoas paulistas. Comandava esta flotilha Abiaru e o tiroteio durou duas horas. Retiraram-se os paulistas e os guaranis vendo que o inimigo recebera esforços retrocederam sobre a sua base de Mbororé”. E mais: “Chegando ao acampamento o padre Romero que superintendia as operações de guerra tomou as últimas disposições para o combate. Pôs no rio setenta canoas tripuladas por arcabuzeiros sob as ordens de Abiaru. As duas da tarde de 11 de março de 1641 surgiu a esquadra fluvial inimiga e Abiaru foi ocupar o posto de comando numa “balsa flerte y bien acomodada com sus parapeitos” onde havia um pequeno canhão. Ao encontro dos guaranis lentamente avançou a esquadra paulista. Encetou o combate o disparo de canhão da balsa, ocasionando certa desordem na flotilha agressora. Dispunham os paulistas, diz o padre Ruyer, de cento e trinta canoas, com trezentos brancos e seiscentos tupis além das guarnições dos remadores. Opunham-se-lhes as setenta canoas guarnecidas por trezentos combatentes bem armados. O canhonaço matara muitos brancos e índios das três canoas ponteiras que haviam ficado muito avariadas”. Finaliza Thaunay: “Travou-se então o áspero combate entre as duas esquadrilhas mostrando-se os guaranis muito destros no manejo das escopetas, tanto que sua destreza recordava “los soldados de las batalhas de Flandres.” “Uma esquadrilha bloqueadora veio ao mesmo tempo cortar-lhes o acesso ao Uruguai. Sentindo a retirada pelo rio cortada, puseram-se os paulistas a destruir as suas duzentas e cinquenta canoas, mas viram-se ai atacados pela esquadrilha inimiga, travando-se novo e vivo combate. Começou a retirada da coluna bandeirante sob viva pressão dos vencedores. Acabou em debandada em que pereceu muita gente para “maior regalo de los tigres e jaguares”. Os tigres e jaguares eram os guaranis do cacique Abiaru, que assim se denominavam por vestirem pelo desses felinos.