biografia

Bruenk

Autor(es): May Waddington Telles Ribeiro
Categorias:Biografia, Etnias, Kraô, Estado, Piauí
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As guerras e a excruciante paz, no devassamento do Piauí

 

A colonização da região da bacia do Parnaíba que hoje se chama Piauí, ficou conhecida como o período do Devassamento, entre 1670 e 1780[1]. Foram tanto senhores brancos como aqueles da Casa da Torre, na Bahia, e de Pernambuco, quanto os ferozes paulistas como Domingos Jorge Velho, que varreram a região com exércitos de mamelucos. Tratava-se de um corredor de passagem entre a Amazonia e o litoral do nordeste brasileirol, com um intenso trânsito de povos tupi, jê e aruak (ver Tabela 1) que vagavam do Maranhão à costa do Rio Grande do Norte e Pernambuco constantemente, de acordo com as estações de frutas e caças. Esses Devassadores penetravam a região a fim de  apresá-los para vendê-los como escravos, ou “descê-los” para aldeamentos.

A Devassa do Piauí foi seguido por uma extenuante e cruel rotina de redução da população de Acroás e Guêgues nos aldeamentos privados. Estes aldeamentos foram estabelecidos por preadores de índios que se especializaram nessas guerras e que, mais tarde, prosseguiram esse trabalho no Maranhão, Pará, se estendendo à Amazônia e Acre na época da borracha. Eram senhores de guerra que conquistavam terra e faziam alianças com os emissários da Coroa. Alguns deles deram origem às famílias importantes do Nordeste, alcançando muito poder político. Nesse artigo, estaremos falando de um deles: o violento João do Rego Castello Branco que, depois de uma vida de violentas guerras, recebeu o cargo de Diretor do aldeamento de São Gonçalo de Amarante[2], onde viveu com sua família e seus escravos até o fim da vida. Explorava suas presas, os índios, alugando e cedendo-os como servos a famílias da capital, instalada em Oeiras, ou como vaqueiros e agricultores a pecuaristas em uma forma de escravidão escamoteada (Miranda,2004).

De seu aldeamento privado, o mandatário continuou a conduzir guerras pela região, tendo como ferozes e cruéis tenentes seu filho, Félix do Rego Castello Branco, e um certo Teodósio cuja maldade aparece recorrentemente nas histórias das últimas guerras do século XVIII na região. Também a partir desse aldeamento, o senhor da guerra travou seus embates políticos, que oscilavam entre a diplomática amizade como a que viveu com o Presidente enviado pela coroa, Gonçalo Botelho, e o jogo de forças com os membros da junta governativa que o substituiu, assim como com os outros prepostos do Rei que se seguiram. Embora seja importante, nesse estudo, compreender quem era e como agia esse preador de índios, nosso personagem principal  estudo nos deixe entrever alguns interessantes detalhes sobre a vida e alianças do mandatário, estaremos focando na biografia de Bruenk, líder do povo Acroá, que foram trucidados por esta família em uma das batalhas mais críticas do Nordeste, na qual cerca de mil índios foram assassinados.

 

A Biografia de Bruenk

Ao analisar a história de Bruenk e o massacre dos acoroás[3], não podemos deixar de pensar nos acordos estabelecidos entre este líder e as autoridades do Estado e as traições perpetradas contra eles, entre 1771 e 1774. É importante tentar decifrar de que forma as expectativas dos Acroá, construídas tanto através dos acordos praticados entre grupos indígenas como na relação com os Jesuítas que os haviam aldeado anteriormente, facilitou a traição e a mortandade que se seguiu.

João do Rego Castello Branco perseguiu os acroás – também chamados de coroados e hoje conhecidos como krahôs – que haviam fugido em guerra anterior para o rio do Sono (Goiás). João do Rego já havia, nessa expedição, aprisionado e despachado para Oeiras 124 timbiras quando, prosseguindo viagem, assalta de manhã cedo o grupo de acoroás, pegando-os a dançar, desprevenidos. Aprisiona 104 mulheres e crianças, enquanto os homens do grupo conseguem escapar para as montanhas. Os homens enviam emissários das montanhas para negociar um acordo com a intenção de recuperar suas mulheres e crianças. O chefe, Bruenk, desce da montanha com o aceite:  acompanharia João do Rego à Oeiras, levando consigo cem índios como reféns e, no ano seguinte, após o inverno, reuniria todas as suas malocas para viajarem juntos ao Piauí, onde se estabeleceriam próximos a Oeiras e trabalhariam juntos.

Assim, houve um trato, pelo qual os índios acreditavam estarem se mudando para algum tipo de novo projeto de vida, com objetivos claros (o de construir um aldeamento) e, aparentemente, não tão difíceis de serem aceitos. Esse acordo foi revestido de rituais de ratificação tais como a descida de Bruenk a Oeiras, junto com João do Rego, para ouvir do próprio Governador a palavra empenhada e a patente de capitão que lhe foi conferida assim como o seu batismo com o nome Gonçalo do Rego, em homenagem ao governador (Gonçalo Botelho) e ao matador de índios (João do Rego), transformando Bruenk em Capitão Gonçalo do Rego.

Ou seja, para reaverem suas famílias, os acoroás concordaram com um empreendimento, uma parceria, um projeto de vida em um novo lugar, negociado entre chefes. Em um ritual, recebe como honraria o nome do Governador, Gonçalo, seguido do sobrenome guerreiro, sendo batizado como Gonçalo do Rego. É compreensível a confiança e fé que o Bruenk depositou nesse acordo, e bem provável que o modelo de mudança em massa para um novo projeto de vida (“descida”) tenham se baseado nas experiências anteriores com a redução jesuíta, em que 600 acoroás se instalaram em São José Douro, no norte de Goiás em 1753, até fugirem com medo de uma epidemia de sarampo.

No entanto, a traição se deu imediatamente após a partida de Bruenk. Assim que o líder retorna à região do Rio do Sono para reunir seu povo, visitando maloca por maloca para convencê-los a aderirem à nova empreitada, dos 100 índios que haviam descido como reféns, o Governador Botelho distribui 30 crianças:

“em idade de batizar-se… separados e repartidos entre os moradores a fim de os dirigir e educar, conforme diz Gonçalo Botelho, remetendo 70 adultos para o Governo do Maranhão, a fim de os pôr o mais distante possível de suas moradas, dificultando assim qualquer possibilidade de fuga”. (CHAVES, 142)

Enquanto isso, Bruenk, que reunira um grupo de 876 acoroás que junto ao seu povo imediato somavam 1234 índios, chega à cidade de Oeiras no início do verão, acampando em seus arredores, para atender “ao compromisso assumido” (MIRANDA, p 31). Além do choque de ver o que havia sido feito aos 100 acoroás que haviam permanecido em Oeiras para garantir a palavra dada, chegaram durante a ausência de João do Rego e em número muito maior do que o esperado. Com isso, o governo de Oeiras – em uma clara quebra do acordo pressupunha o abastecimento por parte dos anfitriões – não estava preparada para cumprir o trato e alimentá-los. Assim, enquanto o portador da promessa, João do Rego, não retorna, os acampados ficaram por dois meses à míngua, passando fome nos arredores da vila. Os índios usaram do expediente que conheciam em situações como essa, assaltando o aldeamento de São João de Sende (onde João do Rego havia reduzido seus inimigos, os guêgues), danificando suas roças de alimentos e de algodão para a confecção de roupas.

Uma grave insatisfação se instalou, portanto, logo de início A história que se segue é profundamente trágica e infelizmente, a título de objetividade, será aqui resumida, deixando de fora lances dramáticos.

Enquanto esperam João do Rego para se instalarem nas novas terras, Bruenk segue para o Maranhão na tentativa de recuperar os 70 acoroás que o governador havia dito terem sido enviados para lá “por engano”. Doentes, famintos e miseráveis, tendo suas mulheres violadas, os acoroás que permaneceram se insubordinam. Ao tentarem fugir para retornar ao Rio do Sono, são brutalmente mortos por gente de João do Rego e por tropas que o governador convoca em Jerumenha para barrar-lhes a passagem. O morticínio é brutal e implacável. Tendo sido avisado, Bruenk faz meia volta e retorna a Oeiras para cobrar o Presidente Botelho quanto às promessas dadas, mas ao chegar à cidade, atravessando as ruas de Oeiras nas quais as orelhas de seus parentes mortos estavam pregadas, Gonçalo Botelho o recebe ladeado pelo principal e mais violento algoz de seu povo, Félix do Rego, filho de João do Rego Castello Branco. Dessa forma, o governador Botelho deixa claro a quem devia lealdade, colocando Bruenk em uma situação vexatória na qual teve que usar todo o seu sangue frio e tirocínio de estadista. Calando-se diante do Governador, mal chega a proferir o seu pleito:

“Vendo tantos castigos, tanta carniçaria, tanta crueldade e tanta vexação e violação do ajustado por aqueles mesmos homens, que em nome de seu príncipe lhes haviam segurado uma bela paz, muita fortuna e segura amizade” (CHAVES, p.143).

Mesmo vendo o quanto o tratado estava tão atrozmente desrespeitado, avaliou que se tentasse se contrapor ao Governador, não teria chance alguma de resistir às armas lá presentes. Sem nem ao menos ter apresentado o seu pedido, Bruenk finge que concorda em tentar reunir os revoltosos que se espalharam pelo mato e juntá-los no novo aldeamento. Durante a viagem de quatro dias até São Gonçalo do Amarante[4], contata os fugitivos pelo mato planejando nova fuga. Assim que chega ao aldeamento, foge de imediato, aproveitando a ausência de João do Rego e: “com todos os principais parentes que se achavam na missão… e marchando em muitos e espalhados magotes para o mato, demandam sua antiga morada” (CHAVES, p.143).

O que se segue são cenas de crueldades absurdas cometidas por Félix do Rego, e seu ajudante, Teodósio, onde não são poupados nem crianças nem donzelas suplicantes nessa “caçada feroz” que reduziu de 1234 a 202 os acoroás que foram finalmente aldeados. Miranda afirma que:

“a repressão aos fugitivos nessa deserção constituiu-se numa das páginas mais cruéis da história da ocupação humana nessa parte das Américas… (e) mesmo a documentação oficial, evitando falar em números, não consegue esconder o genocídio dos acoroás… Os que permaneceram dessa fuga, uns por não quererem seguir a resolução do principal, outros por se acharem em casa de alguns moradores, fizeram o número de duzentas e duas almas da nação acoroá…” (MIRANDA, pág 41-45).

Dessa biografia, tentamos recuperar algumas informações que podem nos indicar quais eram as expectativas que fizeram com que Bruenk tivesse sido tão facilmente enganado. Vemos o iludido líder fazendo de tudo para manter unidas as famílias, que constituem a tribo. Entrega-se, em troca das mulheres e crianças… Viaja pela região do rio do Sono para negociar a ida de várias malocas em conjunto para os novos tempos no Piauí; parte inutilmente para o Maranhão para tentar recuperar os parentes que foram para lá remetidos pela traição do governador Botelho.  Age como um aglutinador, um líder político a defender os interesses de seu grupo, lutando contra a dispersão de uma espécie de confederação de pequenas malocas de 70 a 200 e poucos indivíduos. Os acoroás, ou coroados, ocupavam uma vasta região, dispersos nesses pequenos grupos, mas formando uma unidade política maior, dispondo de grande mobilidade.

Existe a possibilidade de um entendimento entre ele e o algoz, um espaço de negociação. Esse seu julgamento  certamente se baseia nas possibilidades de negociação que existiam no universo das guerras tribais anteriores à chegada do branco naquela região  assim como na experiência anterior com os jesuítas com quem viveram cerca de 20 anos antes em uma redução no Maranhão[5]. Abandonaram novamente o aldeamento em 1764 (apenas cinco anos antes do embate com João do Rego) para retomarem a guerra contra os guêgues, também do grupo Jê, com língua muito próxima.

Então qual teria sido a proposta? Com que olhos esse grupo a recebia? Que outras promessas seriam transmitidas nessa aproximação, além da ameaça militar, que fizesse com que Bruenk mobilizasse tantos outros subgrupos ou malocas de gente sua, para tão longe?

O fato de receber uma patente militar e nomes cristão em homenagem a líderes reconhecidos, indicava honrarias prometidas nesse processo de inclusão na nova formação social. Que outro elemento de sedução poderia haver? O gado? Muares? Armas? Cães? Proteção contra outras tribos?  De que forma isso se encaixava no código de ética das guerras intertribais da época que se apresenta aqui quase como um jogo: João do Rego prende 104 mulheres e crianças, Bruenk imediatamente propõe uma troca e envia 100 reféns, pede um prazo e sai negociando com outras malocas no território do Sono, promovendo uma enorme migração consentida. Ao chegarem à periferia de Oeiras, com alguma grande expectativa que se frustra imediatamente, o jogo se rompe. Mas a partir daí já estão enredados pela repressão pura e simples seguida pela submissão através de uma excruciante, lenta e contínua dizimação. Sua redução.

Como numa espécie de rito que o colocava como um igual e não como um submetido, Bruenk foi nomeado capitão e honrado com o nome de Gonçalo do Rego, que unia os nomes das duas maiores autoridades que se apresentavam naquela situação. Mas além de guerreiro transformado em militar, Bruenk era líder de uma formação social fortemente tecida por relações familiares. Enquanto percebemos o esforço de cooptação através dessas honrarias e de alguns presentes dados pelo Governador, vemos o líder em esforços contínuos de diminuir a desgraça que se abate sobre seu povo, se esforçando desesperadamente para reuni-los, impedir sua dispersão.

Sai da Oeiras enfeitada com as orelhas de seus irmãos assassinados com o nome que lhe foi dado em batismo, Capitão Gonçalo do Rego, e, na estrada se transforma de novo em Bruenk, abandonando tanto o nome quanto a patente que lhe foram conferidos. Quando desiste, diante de tantas traições, é caçado e morto como um desertor.

O termo “deserção” é utilizado para descrever todas as tentativas de fuga dos Acoroás reduzidos ao aldeamento de São Gonçalo. Um termo militar que transforma em crime a desistência de um compromisso com um exército. Um termo que implica na ideia de covardia e abandono do dever e que de forma alguma descreve o legítimo esforço de preservar a própria vida, e menos ainda o esforço em salvar seu povo.

 

O cotidiano no aldeamento

 Os índios não poderiam ser abertamente declarados como escravos por serem protegidos por uma série de regras e éditos decididos além-mar que estabeleciam quando e como poderiam ser legitimamente combatidos e de que forma poderiam ser economicamente explorados. Dessa forma, a insistência em se referir aos aldeados no Piauí em termos militares (desertores), os colocava sob a jurisdição da lógica militar mesmo quando estavam sendo explorados economicamente, como escravos.

O termo redução utilizado pelos jesuítas e pelos governantes da época, tem o sentido de diminuir a área de ocupação e perambulação desses grupos. A aplicação que foi dada ao termo pelos colonos após a saída das ordens eclesiásticas da questão indígena no Brasil foi modificada para dar conta dos empecilhos legais à sua escravização, implicando fortemente na sedentarização. Como já vimos, os acoroás já tinham a referência da convivência com jesuítas em São José Douro no norte de Goiás, hoje Tocantins, que se iniciou em 1751. Tinham em mente algo a que já haviam se acostumado e que determinava expectativas menos atrozes, tanto que mesmo tendo fugido dos jesuítas por conta de um surto de sarampo, voltaram[6].

Mesmo com o afluxo de “homens livres” para o Piauí nas primeiras décadas do Séc. XVIII, a falta de agricultores parece ser gritante, a ponto da coroa se interessar pela parca produção dos aldeamentos. Nos lembrando de que a exígua população do Piauí se dedicava à atividade pecuária, podemos entender por que a grande maioria da correspondência oficial em torno dos aldeamentos gira em torno da atividade agrícola nas roças. Vistoria-se as roças, confere-se, além da comunitária, o rendimento de cada uma individualmente. Acusa-se os índios de “não louvarem as macaxeiras conforme prometeram”, mede-se a quantidade de arroz, farinha, algodão…

O embate entre os colonos exploradores e os índios submetidos já se transformara em questão corriqueira na sociedade da época, a ponto de – devido serem constantemente enganados os índios no comércio – ter sido criado o cargo de Tesoureiro Geral dos Índios a fim de diminuir as trapaças contra os mesmos no comércio, principalmente, pela troca do excedente das roças no mercado. No entanto, tal cargo também envolvia a responsabilidade sobre o produto comum dos aldeamentos, como do particular.

Ao longo do texto e das correspondências entre o Governador e o Maranhão, ou entre o Governador e João do Rego, fica claro que havia um projeto maior do que o suprimento interno da aldeia. Constantes são as queixas dos administradores do aldeamento quanto à falta de suprimentos. Havia pedidos dirigidos a Oeiras para que as vilas de Jerumenha e Marvão os enviassem a fim de se manter os índios nos primeiros dois anos de instalação do aldeamento, já que não haviam feito roças devido às deserções. Havia carpinteiros e um povoado a ser construído. A igreja foi o assunto mais frequente até a virada do século. Parecia estar sempre em ruínas, com suas paredes por cair, seus apetrechos sendo cobrados da administração pública e a administração cobrando a manutenção e construção da mesma. A insistência das várias correspondências cobrando sua recuperação e indicando a carência dos paramentos da mesma revelam – acima de tudo – que o serviço não era feito apesar de tão frequentemente cobrado.

Causa curiosidade, também, a figura do Diretor, João do Rego, cercado de filhos e sobrinhos, centralizando a guerra mesmo depois de velho demais para combater, enviando seu filho ainda mais cruel e feroz do que ele próprio. Como entender porque morava no aldeamento no qual literalmente reduzira os Acaroa de 1274 a 202? Ele havia fundado outros aldeamentos, como aquele de São João do Sende, onde fizera o mesmo serviço com os guêgues. Este último acabou sendo extinto, com os poucos guêgues sobreviventes transferidos para S. Gonçalo do Amarante. Antigos inimigos, aparentados etnicamente pela língua e costumes, que haviam sido usados por seus algozes nas lutas entre si, acabaram reduzidos conjuntamente.

As correspondências indicam que João do Rego “emprestava” seus homens para serviços nas fazendas de amigos e aliados. Há queixas sobre essas saídas, usadas para justificar o mau funcionamento do aldeamento que nunca parece estar de acordo com a proposta inicial, nunca chegando a atingir seus objetivos de produção agrícola nem de construção. Tais queixas são reiteradas por parte de autoridades, especialmente no período da Junta Governativa que substituiu o Governador Gonçalo de Botelho, grande aliado e amigo de João do Rego. Nesse período, um emissário do Rei, o Ouvidor-Geral Morais Durão, antagoniza-se repetidamente com o militar, reclamando do estado da Igreja e ordenando a todos os diretores de aldeamentos que recolham os índios que estejam a serviço fora dos aldeamentos, exigindo que qualquer empréstimo seja requerido à Junta e seja feito com a permissão da mesma. Proibe

“João do Rego de desvirtuar os índios de suas precisas aplicações para quaisquer serviços estranhos, fosse de quem fosse, exceto quando estivessem de conduzir alguma carta à mesma Junta de Governo…” (MIRANDA, p. 52).

São indícios de uma outra forma de escravização que se confirma com a recusa da junta em fornecer a João do Rego um “feitor” para o aldeamento. Isso que Miranda chama de:

“pernicioso costume de se retirar os índios do aldeamento para trabalharem a soldo dos particulares (onde) muitas vezes recebiam valores módicos, outras nem assim, ficando apenas na promessa de pagamento (…concluindo que esse) foi o pior mal que a sociedade colonial praticou em detrimento dos aldeamentos”.

São expedidas ordens de recolhimento de acoroás e guêgues nas mãos de fazendeiros, clérigos e militares em Parnaíba, Campo Maior, Valença, Marvão, Jerumenha, Parnaguá e Oeiras. Em Oeiras o documento especifica a presença de 44 índios em posse de diversos moradores, a maioria com um ou dois, chegando a família de Bernardo José Moreira estar de posse de cinco indígenas (MIRANDA, p.60).

Em 1788 – 17 anos após o encontro entre João do Rego e Bruenk – foi feito um inventário do aldeamento de São Gonçalo do Amarante que enumera a população presente na aldeia, os que estão fora a serviço, e o tipo de serviço que prestam. São 175 os índios que sobreviveram até essa data, entre as duas etnias, 67 acoroás e 98 Guêgues, além de dez outros cuja nação não foi especificada. Destes, 146 estavam presentes e 29 estavam a serviço, dispersos pelas propriedades e vilas. Dos guêgues, 58 eram homens e 40 mulheres, sendo uma casada com um negro cativo. Dos acoroás, 32 eram homens 35 mulheres, duas casadas com pretos cativos pertencentes à família do Rego.  Informa que as roças que existem:

“não achey nella couza de mantimento há dois anos para cá senão huma pouco mandioca metida dentro do mato e essa julgo não dará quarenta alqueires de farinha, tudo se acha em capueiras e matos, couza perdida, sem dono e nada tem rossado para se poder plantar nessas agoas, somente os Acoroás he que tem hum bocado de rossado muito limitado” (Miranda, p. 67).

Prossegue descrevendo uma situação de fome, que atribuí principalmente ao fato dos índios terem que se ausentar ao invés de cuidarem de suas roças e de não terem ferramentas. As que existem estão sob domínio do principal da aldeia, um guêgue (os acaroas não tendo mais uma liderança), e que este mesmo guêgue possui porcos e cavalos que completam destruição das roças dos outros índios. Indica, por fim, que alguns índios seguiram boiadas até a Bahia, tanto as da administração como de particulares. Um ano depois, em 1789, uma carta ao governador revela que existe mandioca plantada o suficiente para 250 alqueires de farinha, além de algum milho, arroz e algodão. Além da eterna ruína da igreja que tantas correspondências mencionam, a carta menciona um projeto de se instalar 29 rocas de fiar na aldeia, mas dificuldades em construir a casa para tal.  Faz menção à escola em S. Gonçalo, e a várias situações de tensão com os mestres, tanto pelo uso da palmatória, proibida pelo governo, até à presença de um casal de professores que havia cometido algum crime em outra província.  (MIRANDA, p. 69).

Em 1819 os viajantes Von Martius e Spix, membros da Comissão Científica da Baviera passam pela já então freguesia de São Gonçalo do Amarante a caminho de São Luis do Maranhão. Miranda reproduz uma boa parte das anotações de Martius, que nos fornece importantes detalhes, a maior parte deles referentes à nostalgia que dominava os então 120 sobreviventes de acaroas e Guêgues, muitos já mestiçados com negros:

“O aspecto tristonho dos índios, que vagavam aqui em abstrata inércia, a sujidade e a desordem das pobres choças, assim como a falta de uma direção conveniente confiada agora a um soldado dado ao vício da embriaguês – reforçaram a nossa convicção de que se deve considerar rara exceção uma feliz tentativa de colonizar indígenas”.(MARTIUS, apud MIRANDA, p.147).

Eram então liderados por um velho João Marcelino, nativo que Martius acreditava ser mestiçado com sangue “etíope. Para Martius, essa nostalgia e apatia devia-se a que:

Interessantemente, observa que aqueles que, ao invés de serem concentrados nos aldeamentos, são “repartidos entre as fazendas”, exibem sinais de muito melhor saúde e disposição:

Dos pimenteiras assim capturados, vimos diversos em Oeiras. Eles eram mais robustos e desempenados entre os índios que até agora nos haviam aparecido, e tinham nos traços de fisionomia, assim como na linguagem muito rica em sons, palatinos, um certo desembaraço e firmeza que debalde procuramos em outros índios em São Gonçalo de Amarante”.(idem, p.148).

Miranda também descobre correspondências proibindo os batuques que se tornam freqüentes a partir de 1794, com as constantes visitas de escravos negros das fazendas da vizinhança. O governo central exige que se proíba a entrada de aguardente no aldeamento em nome do bem da ordem, mas o insucesso da ordem é testemunhado por sua repetição nos anos subsequentes.

Em uma primeira análise destes poucos dados, vemos um recorrente insucesso de algo que se estabelece como objetivo: a subsistência, a auto-sustento do grupo reduzido a uma situação de agricultura sedentária. Tudo indica que apesar do discurso oficial, os aldeamentos extrapolavam essa função e representavam o abastecimento da cidade de Oeiras.  A correspondência aponta para a constante falta de ferramentas de ferro e de profissionais, constantemente requisitados e sempre prometidos, mas raramente entregues pelo poder central. Mas o motivo apontado como principal são as ausências dos braços fortes, escravizados em serviços para terceiros. No entanto vimos que essa condição era, na verdade, benfazeja aos índios visto que os emprestados às famílias de Oeiras ou fazendas se encontravam em melhor estado de saúde e mais bem nutridos do que os que permaneciam nos aldeamentos. Os 48 anos de submissão que já haviam reduzido os indivíduos acaroas de 1278 para em torno da metade dos 120 indivíduos no aldeamento dividido por acoroás e guêgues por ocasião da visita de Von Martius. Com isso se atesta que houve, de fato, sucesso no objetivo de reduzirem a população indígena, de forma literal e não apenas espacial.

 

Bibliografia

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CARDIM, Padre Fernão. Tratados da Terra e Gente do Brasil. Belo Horizonte, São Paulo: Livraria Itatiaia Editora; Editora da Universidade de São Paulo, 1980.

CHAVES, Monsenhor, Obras Completas, Fundação Cultural Monsenhor Chaves, Teresina, 1998.

LIMA SOBRINHO, Barbosa, Devassamento do Piauí, São Paulo, ed Nacional, 1946

MELO, C., Novas Aventuras de uma Sesmaria, UFPI, Teresina, 1992.

MOTT. Luiz R.B., Piauí colonial, população, econômica e sociedade. Teresina, Projeto Petrônio Portela, 1985

MIRANDA, Reginaldo, São Gonçalo da Regeneração, Marchas e Contramarchas de uma comunidade sertaneja: Da aldeia indígena aos tempos atuais.  Teresina, Ed. Gráfica Expansão, 2004

NUNES, Odilon, Pesquisas para a História do PiauíFundapi/Fundação Monsenhor Chaves, Teresina, 2007.

SOBRINHO, Barbosa Lima, O Devassamento do Piauí, col. Brasilianas, v.253

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_______.Tratado Descritivo do Brasil em 1587. 4ª ed., São Paulo: CEN e Ed da USP. V. 117, 1971.

_______. Tratado Descritivo do Brasil em 1587. Edição comentada por Francisco Adolfo de Varnhagen. Rio de Janeiro: Companhia Editora Nacional, 1987.

SPIX, Johann Baptist von; MARTIUS, Carl Friedrich Philipp von. Viagem pelo Brasil (1817-1820). Trad. Lucia Furquins Lahaneyer. Belo Horizonte, Itatiaia, São Paulo: Edusp, 1981.

WADDINGTON, M.T.R, Uma Tribo Vai ao Mercado, Os Yawanawá, Sujeitos ou Objetos do Processo?”Tese doutorado, CPDA/UFRRJ, Rio de Janeiro, 2005

 

 

     TABELA 1 – TRIBOS INDÍGENAS E SUA LOCALIZAÇÃO*

 

Cataguazes:

Tremembés, baixo Parnaíba e seu delta (“exímios nadadores e valentes guerreiros”)

Migração caraíba

Pimenteiras  – limites com Pernambuco

Tapuias (termo genérico usado por Monsenhor Chaves, sendo possível identificar boa parte deles como Macro-jê):

Aroaquizes e Carapotangas, Chapada das Mangabeiras

Aroquanguiras, Copequacas, Cupicheres, Aranhezes,  Aitetus, Corerás, – um pouco mais abaixo, no alto Parnaiba

Abetiras, Beirtás., Coarás e Nongazes – um pouco mais abaixo do alto Parnaíba

Acoroás, Rodeleiros, Beiçudos – cabeceiras do Gurguéia (Jê)

Acoroás aldeados por Jesuítas na região de Parnaguá

Bocoreimas e Corsiás e Lanceiros – ao longo do Gurguéia

Anassus e Alongazes – Serra de Ibiapaba

Aruazes, riacho do Sambito  (Valença)

Ubatês, Moatans, Janduins, Icós, Urirês – Serra do Araripe

Araiês e Acumês – cabeceiras do rio Piauí

Coaratizes e Jaicós – vale do Gurguéia

Cupinharós na serra do Canindé   (Oeiras)

Precatizes – Uruçuí

Putis – foz do rio Poti ou Potis  (tapuias)  dominavam a região até o final do século XVII, participaram do levante de 1713 com Manu Ladino; em fins do século estava na indigência e já há casas de brancos na região do Poti Velho. (Aires Casal, em sua Corografia Brasileira, afirma que foram os potis os índios que mais “deram o que fazer aos conquistadores”, p 161 M Chaves):

Aranhins e Crateús nas cabeceiras dos rios que levam seus nomes

Gueguês – região central do Estado

Gamelas, Jenipapos e Guaranis vagaram pelas margens do Paranaíba e retiraram-se para o Maranhão após o levante de 1713

Carbuçus, Muipuras, Aitatus, Amoipirás, Ubirajaras – margens do Gurguéia e do Uruçui (migraram para o Maranhão e Goiás)

 

Tupi:

Aimopirás – descendentes dos tupinambás do litoral baiano se retiraram do sertão tangidos pelos Tupinaês. Se estabeleceram nas margens norte do São Francisco e povoaram a área combatendo os tapuias (especialmente os Ubirajara)

 

*Compilada a partir de Monsenhor Chaves, atualizada por informações de outros autores como Odilon Nunes, Reginaldo Miranda,

 

 

Das outras guerras do Piauí

Nos interessa registrar, brevemente, que uma das primeiras guerras na região foi travada pela expedição de Vital Maciel Parente, contra os tremembés que habitavam o Delta do Paranaíba. A guerra foi motivada pelo fato dos índios estarem “fechando o caminho entre o Ceará e o Maranhão… (e matando) os pobres náufragos que, escapando das águas, buscavam salvação e refúgio nas ilhas do Delta do Parnaíba” (CHAVES, p. 136). Contra eles foram utilizados índios inimigos que demonstraram sua ferocidade ao trucidar as crianças da maloca, pegando-as pelos pés e esmagando suas cabeças contra troncos.

A guerra indígena que mais habita o imaginário piauiense, no momento atual, é a guerra contra o herói Manu Ladino, que se transformou recentemente em símbolo da luta pela liberdade, nome de centros culturais, ciclos de palestras e bares da cidade. Monsenhor Chaves o descreve como tendo recebido alguma educação dos Jesuítas (o que o próprio termo “ladino” já indica, pois distingue quem fala o português dos que não o falam) e o classifica como tapuia, o que é, infelizmente, um termo por demais genérico. A guerra que travou foi generalizada e envolveu a articulação entre diversos grupos e etnias. (CHAVES, p.137). Uma das etnias de que se tem registro são os Poti, que, de acordo Gabriel Soares, em Notícia do Brasil[7]:

costumam este gentio tapuia trazerem os machos os cabelos da cabeça tao compridos que lhes dão pela cinta, e, às vezes, os trazem entrançados ou enastrados com fita de fio de algodão; e as fêmeas andam tosquiadas e trazem cingidas ao redor de si umas franjas de fios de algodão. São muito músicos e cantam. Trazem os beiços furados e neles umas pedras roliças e compridas. Não pescam estes índios no rios, à linha, porque não têm anzóis; mas para matarem peixe colhem os ramos de uma erva com vides, mas muito compridos e brancos, e tecem-nos como rede os quais deitam no rio e tapam-nos de uma parte a outra e uns têm mão nesta rede, e outros batem a água em cima, donde o peixe foge, e vão-se descendo até dar nela onde se aperta e tomam às mãos o peixe pequeno, e o onde matam às flechadas sem errarem um” (Soares, pag .312-316)

 

 

GUERRAS CONHECIDAS PELA ETNOHISTÓRIA DO PIAUÍ
1675 – Gueguês nas duas margens do rio S Fco: atacaram currais – revidaram Fco  Dias de Ávila e Domingos Rodrigues de Carvalho na barra do rio Salitre. Fugiram para o Piauí e se renderam. Portugueses os mataram 2 dias depois (500 homens) e escravizaram mulheres e crianças
Domingos Afonso Sertão “figura Central do desbravamento) (acompanhava D’Ávila) instalou 30 fazendas de gado
1679 – Tremembés  expedição de Vital Maciel Parente (deixou índios aliados matarem as crianças jogando suas cabeças contra árvores de uma maloca de 300 sobreviveram 37)  Os que fugiram se refugiaram nas matas em 1701 outra expedição
1712-1713 levante geral de todos os tapuias do norte MANU LADINO, “Inteligente, astuto e vingativo” educado por jesuítas, organizou guerrilhas. Expedição de Mestre de campo Antonio da Cunha Souto-Maior: cilada bem executada. Cooptou os índios aliados dos brancos, sublevando-os. Mataram todos os expedicionários. Guerra se estendeu por alguns anos, com ataques às fazendas. 2 expedições (do MA e do PI) cercaram  e exterminaram a tribo Aranhis em Iguará (MA) e atacaram outras tribos. Manu-ladino morre afogado no rio fugindo das tropas a caminho do Piauí. Luta continua no PI quebrando a resistência dos índios “Sucedendo-se as rendições e os aldeamentos das tribos, umas vezes sob as ameaças dos Mestres de campo e dos predadores de índios, outras vezes ao simples apelo pacífico dos missionários ou de alguma autoridade compreensiva e humanitária que com eles negociava” p 137
1722 – tremembés são aldeados pelo jesuíta pe João Tavares
pouco depois Cupinharós se rendem ao Mestre de Campo Bernardo de Carvalho Aguiar
outras se rendem a Fco José Brito (encarregado do arraial de Garcia D’Ávila) no Gurguéia
outras a Fco Dias Ferreira perto de Oeiras
1726 – Aruazes se submetem a Fco de Almeida
CRIAÇÃO DA PROVÍNCIA Coroa x Jesuítas
1759 – primeiro governador João Pereira Caldas recebe da coroa a incumbência de proteger os índios contra os jesuítas…
 “leis de 6 e 7 de julho de 1755 ‘restituíam aos índios as liberdades de suas pessoas, bens e comércio’. O rei mandava que se repartissem aos índios as terras competentes para a sua lavoura e comércio ‘nos distritos e vilas e lugares que de novo deveis erigir nas aldeias que hoje tem e no futuro tiverem os referidos índios’”.
Mas a mesma Carta Régia , que assim parecia tão interessada no bem-estar e felicidade dos indígenas, incluía uma cláusula de sobremodo prejudicial aos mesmos. ‘Não permitireis , por modo algum, que os Regulares (isto é, os Jesuítas), que até agora arrogaram o governo secular das ditas aldeias, tenham nela a menor ingerência’. Aqui bate o ponto principal da questão. Era preciso tirar os padres das aldeias e confiá-los aos burocratas do Estado, que teriam tanto interesse em protegê-los como em escravizá-los.” Entregando tais governos à “pessoas idôneas” que esbulharam as terras dos Tremembé e dos acaroas, lançando os índios de Ibiapaba contra os mesmos.
Aldeamentos de jesuítas: Tremembé (delta/Parnaíba); Acoroá em Parnaguá; índios em Ibiapaba
GUERRAS DE JOÃO DO REGO CASTELLO BRANCO
Em 1771-74 – guerra aos acaroas que os reduz de 1276 a 380
Em 1776 ataca os Pimenteiras, que serão totalmente destroçados em 1783.
Em 1780 exterminam os Gueguê que tentam fugir do aldeamento, da mesma forma que os acaroas. Reação da sociedade: admite diante do juiz e ninguém é punido.
Em 1793 há o último levante no Piauí: os Tapecuá e Tapecuá-mirim se rebelam em Parnaguá. São batidos por Capitão Manoel Ribeiro Soares e fogem para Goiás.

 

Notas

[1] Lima Sobrinho, Barbosa, Devassamento do Piauí, São Paulo, ed Nacional, 1946

[2] Também fundou o aldeamento de São João de Sende com os Guêgues que conquistou, mas foi no primeiro que se instalou.

[3], dramaticamente descrito por Alencastre em 1857, registrado por Monsenhor Chaves e aprofundado por Reginaldo de Mirandam MIRANDA, Reginaldo, São Gonçalo da Regeneração, Marchas e Contramarchas de uma comunidade sertaneja: Da aldeia indígena aos tempos atuais, Teresina, Ed. Gráfica Expansão, 2004

[4]              curiosamente, a literatura acaba fixando uma lenda de que “caminha 30 léguas em menos  24 horas e na mesma noite em que chega, parte com grupos…” Miranda recupera, através de fontes primárias, as datas e comprova que Bruenk viajou 4 dias para chegar ao aldeamento, provavelmente já planejando a nova fuga

[5] Como se dispuseram à negociação, retornando à missão após o surto, foram poupados do castigo através do édito de 1753, que proibiu temporariamente a guerra justa – em especial a guerra contra os coroados

[6] esse retorno motivou um edito do Governador do Maranhão, Diogo de Mendonça Corte Real, que proibiu a guerra contra os Acoroás em 1753.

[7] impressa no 3º tomo das coleções de Notícas para a História das Nações Ultramarinas – cap 72-75, pag 312-316

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