biografia

Jaguarari

Autor(es): Geraldo Gustavo de Almeida
Biografado: Jaguarari
Povo indígena: Potiguara
Estado: Paraíba
Categorias:Biografia, Estado, Paraíba, Etnias, Potiguara
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Cacique potiguara. Por suspeita de traição, foi preso e torturado injustamente durante oito anos pelos portugueses. Protestou contra essa acusação, alegando que se aproximava do inimigo apenas com o intuito de salvar sua mulher e seus filhos. Mal os algozes, por serem desonestos e mentirosos, não acreditaram na palavra do índio, que depois foi libertado pelos holandeses. Era natural da Baía da Traição, onde foi preso em 1625. Havia participado da conquista do Maranhão com Jerônimo de Albuquerque. O seu doloroso caso na prisão do forte dos Reis Magos (Natal) foi narrado por Duarte de Albuquerque, que cita a seguinte passagem: “Aqui me vedes nu e com sinais ainda frescos dos ferros que oito anos suportei, por ter comunicado com os holandeses na Baía da Traição, no intuito de tirar minha mulher e filhos que lá estavam. Havendo-me vencido amor não me valeu por ter provado bem minha felicidade nos muitos anos que servi ao Rei, particularmente na conquista do Maranhão, com muita gente mais, quando Jerônimo de Albuquerque o ganhou dos franceses. Daquela prisão me soltaram agora, por estarem os holandeses sobre o forte do Rio Grande, que, a não ser isso, bem receava eu morrer nos ferros. Porém, nada há de ser bastante para manchar minha antiga fidelidade com qual sempre servi e servirei ao meu Rei”. Jaguarari não foi menos digno de memória do que seu sobrinho Antônio Felipe Camarão, se não chegou a ser major. Foi-lhe concedida uma pensão de cento e cinquenta reais de soldo, a qual, segundo Duarte de Albuquerque, por sua morte reverteria à sua mulher e filho. Houve outro Jaguarari; este auxiliou os padres, na Bahia, na caminhada dos religiosos em busca dos amoipiras.